quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

"NUNCA MAIS"

Noite de quinta feira, passei o dia todo em casa, a moça da limpeza apareceu na parte da manhã fez a comida e se foi. Fiquei sozinho lendo um livro de poemas, olhando, vez em quando, para a tela do computador. Que poema é este que tanto me prende a ele?

Não é obra de qualquer um, trata-se de “O CORVO” escrito por Edgar Allan Poe; não estou lendo tudo não, já o conheço! Estou me fixando em uma estrofe só, que é esta:

"Perdi outrora
Tantos amigos tão leais!
Perderei também este em regressando a aurora."
E o Corvo disse: "Nunca mais."
(Edgar Allan Poe)

- Mas, diz você, o que tem isso de tão notável além de uma reunião de frases, tão bem construídas?
- Nada, respondo eu, é que estou meditando nas palavras do Corvo!
- É, e este “Nunca Mais” tão enigmático quer lhe dizer algo?
- Suponho que sim!... Eu o coloquei na ultima página do meu mais recente livro “Maikon”.
- Algum motivo especial para isso?
- O mesmo de agora, me lembrando de quanto o mundo tem se despovoado para mim, de como também perdi outrora tantos amigos tão leais.

Depois deste dialogo comigo você deverá ter ficado pensativo, imaginando onde se encaixam estas arrepiantes palavras ditas pelo Corvo, se em passando o tempo outros também me desaparecerão.

Mas, o que estava me incomodando mesmo era saber que não os verei nunca mais. Este é o enigma da frase que me ocupou tanto tempo para descobrir. Estão sendo ditas, sim, certamente referindo-se as coisas passadas e não prevendo fatos futuros!

Deixo o poema pra lá e pego um livro de um amigo tão leal, como diz o poema: Doutor Ruy Bruno Bacelar, que me deixou tão repentinamente, sequer se despedindo. Ficou-me além das saudades, dos nossos diálogos inteligentes, sua obra magistral que ele escreveu sobre Antonio Conselheiro, intitulado “Canudos o Assassinato da Liberdade”; na qual diz:

”Em 1897 foram assassinados milhares de brasileiros por um exercito de mais de 6.000 homens. O único crime deste povo foi à crença na liberdade de ser feliz no lugar da miséria”.

Sobre Antonio Vicente Mendes Maciel:
“Para mim, Antonio Conselheiro é o maior vulto da história do Brasil. Ele é maior do que Tiradentes, Caxias, Frei Caneca e muitos outros”.

Sobre a Guerra de Canudos:
“Canudos para mim é um não imortal a todas as tiranias e sistemas políticos corruptos. É um não a todas republicas degeneradas de ontem e de hoje. Canudos é um não a este país degenerado e corrupto de hoje, que é o Brasil”.

Diante disso digo: Ruy Bacelar é digno de ser lido e analisado por todo historiador sério, ou por qualquer brasileiro interessado na verdadeira historia do Brasil.
Fecho o livro e volto à solidão da minha casa, mas antes de pousá-lo sobre a estante, arrisco uma pergunta em direção da janela fechada:

- E o Doutor Ruy?
A brisa atravessa a fresta da vidraça vinda da escuridão da noite lá fora, e escuto perfeitamente as assombrosas palavras do Corvo:
- “Nunca Mais”.

4 comentários:

  1. Bem...pra variar vc me surpreendendo sem me surpreender! hehehe
    Gostei mt!
    NUNCA MAIS !!!
    Valéria Victal xD

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  2. Minha filha deixa eu te falar; morro de saudades das pessoas que gosto! E vc eh uma delas. Bem que poderia ter feito este post para você! Como o poema diz: "perdi muitos fieis amigos". Vc não, foi um dos que consegui recuperar!...

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  3. Muito interessante Landi, principalmente por ter lido esse seu post nesse momento que passo da minha vida.
    Nunca tive uma perda significante, nunca perdi um amigo ou presenciei a morte de um ente querido... Mas esse Nunca Mais é tão intenso que parece abranger tantas coisas, tantos fatos...
    Nunca mais... Nunca parei para pensar que duas palavras poderiam expressar tanto.

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  4. Obrigado! Pelo que já pude perceber você é uma pessoa extremamente inteligente.
    Certamente, como eu, acabaré por descobrir muitos usos para estas duas pelavras!...

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