O RETRATO DE DORIAN GRAY
Quando escrevi o meu terceiro romance intitulado “MAIKON” pensava apenas em contar a vida de um jovem músico e cantor, que apesar de ser um sucesso mundial, vivia preso a uma idéia fixa de tornar-se belo! Seu ideal de formosura era o Narciso da mitologia grega, que um dia olhando-se no espelho de um lago, apaixonou-se por si mesmo!
Mas, o personagem do livro, preso a esta idéia fixa, acaba ficando forte na história e ganhando vida própria, escapando do controle; quando abandona à carreira musical e seus negócios para entregar-se aos estudos da Alta Magia; envolvendo-se em aventuras por mundos fantásticos, até descobrir afinal que, a verdadeira beleza está na pureza da alma. e nas obras do coração.
O tema da perseguição da beleza já foi explorado por outros autores, onde cada um deles, ao seu modo, procurou dar vida aos seus personagens movimentando-os dentro desta penumbra cinzenta que, nada mais é que a procura da juventude eterna.
OSCAR WILDE, autor irlandês do século XIX, publicou em 30 de junho de 1890 o seu livro intitulado “O Retrato de Dorian Gray” (em inglês, The Picture of Dorian Gray). O livro é um dos clássicos da Literatura e gerou na época muita polêmica devido ao seu conteúdo erótico e Wilde, que era homossexual, acabou sendo preso por isso!
O “Retrato de Dorian Gray” nos conta a história de um belo jovem chamado Dorian Gray que se torna amante de si mesmo e posa para uma pintura do artista Basil Hallward. Dorian pela sua beleza física acaba despertando uma paixão platônica por parte do pintor. Mas o seu retrato, que Basil não quer expor, torna-se sua grande obra-prima.
Lorde Henry Wotton, um aristocrata cínico e grande amigo de Basil, conhece Dorian e o seduz para sua visão de mundo, onde o único propósito que vale a pena ser perseguido é o da beleza e do prazer, que segundo ele é o dom supremo da essência humana, porém, sabia que a beleza é efêmera, e isto faz Dorian pensar e se entristecer por seu destino quando Wotton lhe diz:
"o senhor dispõe só de alguns anos para viver deveras, perfeitamente, plenamente. Quando a mocidade passar, a sua beleza ir-se-á com ela; então o senhor descobrirá que já não o aguardam triunfos, ou que só lhe restam às vitórias medíocres que a recordação do passado tornará mais amargas que destroçadas.".
E, Dorian ao ver-se em seu retrato, irrita-se:
"Eu irei ficando velho, feio, horrível. Mas este retrato se conservará eternamente jovem. Nele, nunca serei mais idoso do que neste dia de junho... Se fosse o contrário! Se eu pudesse ser sempre moço, se o quadro envelhecesse!... Por isso, por esse milagre eu daria tudo! Sim, não há no mundo o que eu não estivesse pronto a dar em troca. Daria até a alma!”.
E o seu desejo é atendido. Dorian conhece uma jovem artista, Sibyl Vane. Então lhe pede em casamento. A moça fica lisonjeada. Dorian convida seus dois amigos, Basil e Lorde Wotton, para assistir a uma das apresentações da moça. Nessa noite, a moça representa muito mal. Dorian fica consternado. Vai até o camarim. Sibyl está feliz, e diz-lhe que, de agora em diante só viverá para o seu amor, por isso apresentou-se como uma artista medíocre. Então, ao ouvir estas palavras ele a humilhou e desprezou. Virou-lhe as costas para nunca mais voltar.
Ao chegar a casa, após esta terrível maldade, Dorian, dirigiu-se ao quarto e, olhando seu retrato, quase enlouquece, ao perceber que o quadro mudara-se. Seu sorriso não era mais o mesmo; via-se nele o cinismo e a maldade; percebeu que o quadro era reflexo fiel da sua verdadeira alma. Assim, foi desculpar-se com Sibyl, julgando que o quadro voltaria ao normal. Entretanto, era tarde demais, Sibyl havia cometido suicídio.
Dorian, diante de tremenda desventura atirou-se ao desregramento. Mostrou-se um homem frio e interesseiro com todos. Induziu pessoas a atos vulgares e criminosos, sempre impune. Assassinou seu amigo Basil, quando este percebe a sua conduta. Leva outro amigo ao suicídio. Todas as suas ações e crimes em nada alteravam o seu rosto que continuava belo, mas o quadro mudava a cada ato insano que praticava , transformando-se numa figura grotesca e monstruosa.
Dorian já contava com 40 anos, quando imaginou arrepender-se e levar uma vida pura, reconhecendo que sua soberba o levou a esta vida sem regras. Amaldiçoou sua beleza e mocidade e pensou que sem elas sua vida seria pura. Dorian havia escondido o quadro num quarto desocupado. Sobe até lá, olha o quadro e grita de terror. Apesar de suas boas ações, o quadro não se alterara, estava mais horrendo.
Então Dorian percebe claramente a verdade: por vaidade, ele apenas pusera-lhe ao rosto a máscara da bondade. Já que ninguém o acusava de suas maldades, a única prova de seu mau caráter estava estampada no quadro. Precisava destruí-lo. E, com a mesma faca com que matou Basil, trespassou o retrato. Ouviu-se um grito. Os criados acudiram. E, quando chegaram ao quarto, viram na parede o belo retrato, e, no chão, jazia o corpo de Dorian, irreconhecível, monstruoso, com a faca cravada no peito.
O Livro de Oscar Wilde na verdade parece refletir uma dura crítica a sociedade da época e sua exacerbação pela beleza e a arte, tão apreciada pelos jovens da alta burguesia inglesa, a qual pertencia o personagem principal do livro. Dorian representava tudo de podre e promíscuo que era cultuado nas altas rodas. A sua imaginável beleza física, antes de ser um dom da natureza, afigura-se como um mascara, uma casca harmoniosa a encobrir-lhe as torpezas da alma!
Dorian de Wilde e o Maikon deste nosso ultimo romance, personagens fictícios distintos, onde um deles, belo, quer transferir os anos vividos e suas imperfeições acumuladas ao passar do tempo para um formoso quadro; outro, se vê feio e procura alucinadamente a beleza, quer seja pelas correções plásticas, ou pela utilização da alta Magia.
O que vale dizer que, ambos são produtos algamassados de uma criação evolutiva ainda imperfeita, onde o traço principal que os une, é a própria insatisfação humana!
elandi@ibest.com.br
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Muito legal *-*
ResponderExcluirBy.: Valéria Victal
É, tem razão, muito legal mesmo! A literatura é apaixonante!
ResponderExcluirSem palavras um grande texto extremamente inteligente. Eu conheço o livro muito bom mesmo.
ResponderExcluirMuito obrigada por compartilhar conosco um trabalho deste nível. Parabéns pelos textos postados, boa sorte e sucesso.
Obs: Estou te seguindo no Twitter
Oh!... Minha amiga, que posso dizer eu diante dessa tua afirmação?...
ResponderExcluirO amor pela literatura, que nos une a todos aqui neste espaço, é a única explicação que vejo para continuar lutando contra o tempo gasto e as desilusões.
Agradeço-te de coração!